06 janeiro 2017

Magnet



Capitulo IV














   - Corra Henry, corra .... – A voz gritava em meio a escuridão, logo depois foi abafada e sessou.
   - Mãe? Mãe ....
   - Ai está você!



***



    - Aaah! – Gritou o moreno se sentando bruscamente na cama grande, relativamente proporcional ao tamanho do quarto.
    - Bom dia senhor Henry. Há algo de errado? – Perguntou a voz da casa.
   – Droga. – Murmurou levando uma das mãos aos cabelos desarrumados e molhados. – Estou bem Betta. - Olhou ao redor percebendo que já estava de manhã. As cortinas escuras permitiam que apenas alguns raios do sol entrassem no quarto. Sentou-se na cama respirando fundo, seria um grande dia. Levantou-se caminhando até a suíte, abriu a porta, entrou, tomaria um bom banho para esquecer seus pensamentos.
     Quando o banho terminou, caminhou novamente até o quarto com uma toalha na cintura e outra na cabeça, que era agitada freneticamente na intenção de secar o cabelo.  Porque tive esse sonho?  Parou em frente ao grande guarda-roupa branco e preto, abrindo uma das três partes. Inspecionou o suficiente para pegar suas roupas. Correu a porta a fechando, colocou as peças de roupa na cama.
   - Quem está acordado? - Perguntou depois de se vestir e terminar de secar o cabelo.
   - Mestre Killian está se preparando para descer. Safira ainda está acordando. – Respondeu. – Devo apressa-la? – Sugeriu.
   - Não é necessário. – Disse abrindo a porta, caminhou tranquilamente passando vez ou outra por androides que ainda vigiavam a casa. Desceu a escadaria principal indo até a cozinha. Sentou-se a mesa que já estava pronta, sentindo o cheiro apetitoso do desjejum a ser preparado. Ajeitou-se na mesa, com o primo logo a frente. Respirou fundo colocando os cotovelos sobre a mesa, cruzou os dedos apoiando o queixo neles. Seus obres verdes acompanhavam os robôs de um lado para o outro.
   - Bom dia. – o rapaz disse entrando na cozinha. – Dormiu bem? – Disse se sentando a frente do rapaz.
   - Sim. – Respondeu o moreno.
   - Betta disse que teve problemas a noite. – Continuou o encarando. - Pesadelos?
   - Pode-se dizer que sim. – Disse querendo encerar o assunto.
   - Tudo bem Henry. Eu entendo como se sente. Quando meus pais se foram, me sentia sozinho nesta casa. Tão enorme e vazia. Mas você me ajudou naquela época. – Desviou o olhar para o chão. – Quero ajudar você agora também.
   - Você já está me ajudando .... – Parou. – Killian ....
   - Sim.
   - Quero que voc.... – Uma voz o fez parar.
   - O-obrigado.
   - Pode entrar. – A voz robótica a respondeu.
   Os rapazes se entreolharam antes que a garota entrasse.
   - Nossa. - Exclamou o roxo chamando a atenção do moreno que se virou dando com a jovem.
    Ela tinha trocado de roupa, agora usava uma regata preta, uma outra blusa mais larga rosa por cima, calça leg preta, calçava um all star de cano super alto azul com pequenos detalhes em branco. Os cabelos foram presos com uma fita vermelha em um rabo de cavalo. Linda.
   - Bom dia Safira. – Começou o roxo ainda a olhando.
   - B-Bom dia. – respondeu tímida. Seus olhos azuis analisaram o rapaz a sua frente. Ele havia colocado agora uma calça jeans diferente da que vira ontem. Usava uma blusa preta larga até os cotovelos. Ainda estava com os colares de antes e calçava tênis preto. Desviou o olhar quando percebeu que ele a olhava, tinha visto que ela o analisava. Seus olhos foram parar no rapaz sentado ao seu lado. O moreno encarava a mesa posta. Usava uma camisa preta, blusa de manga longa vermelha, estava também de jeans e usava tênis  preto. Seu cabelo estava mais bagunçado e úmido, deveria ter tomado banho a pouco tempo.
   - Não vai se sentar? – Disse frio o moreno, sem a olhar. Estremeceu tendo que escolher onde sentar. O lado do moreno estava vazio e isso era tentador, mas tinha vergonha de se sentar ao seu lado, então sentou-se ao lado do roxo, que sorriu com sua escolha.
   - Você está muito bonita. – Elogiou.
   - O-obrigado. – Respondeu envergonhada. Os robôs enxiam a mesa de panquecas, pães, torradas, bolachas, geleias, manteigas, requeijão, sucos e leite. A mesa estava ainda mais linda.
   - Bom apetite. – A voz robótica anunciou.
   - Vamos comer. – Disse sorrindo. Estendeu as mãos pegando um pequeno prato para si e para a jovem ao seu lado. – Não fique acuada, sirva-se. Vai gostar. – Falou encorajando-a, o moreno a frente já tinha em seu prato alguns pães e torradas que o rapaz havia caprichado no requeijão, no copo a sua frente estava cheio de suco de laranja.
   - Obrigada. – Respondeu.
      O roxo também se serviu com bastante bolachas com geleias e suco de laranja. Acompanhando os meninos ela se serviu de algumas panquecas, geleias e suco de limão.
   - Hm, é muito bom mesmo. – Disse ela.
   - Não é? – Riu – Trabalhei a muito tempo em um software de culinária, foi uma das minhas primeiras linhas. – Explicou.
   - Então você tem mesmo uma linha de androides?
   - Exato. Nunca ouviu falar de mim?
   - Em Castam não temos tantos androides como nas cidades maiores. São muito caros pra nós.
   - Entendo, os preços deles acabaram saindo do meu controle. Quando tudo isso acabar e já estiver com sua irmã, lhe darei alguns deles.
   - Mesmo? Adoraríamos.
   - Então está decidido.
   - Não demorem muito, quero sair logo. – Começou o moreno se levantando da mesa.
   - Oky. – Respondeu o roxo se virando para a garota ao seu lado. – Não se preocupe em tirar a mesa. Os androides fazem isso também. Suba e pegue algumas roupas. Talvez passaremos algum tempo em viagem.
    - Sim senhor. – Brincou a morena.
    Ele se levantou, piscou para ela e então saiu da cozinha.
    - Me espere Sayl, estou indo.
               


***



 ­ ­- Como havia previsto. – A voz masculina se pronunciou desanimada.
- O que quer dizer doutor? – Perguntou uma outra voz masculina, ao seu lado direito uma jovem de cabelos negros levemente azuis se mostrava preocupada, do lado direito uma mulher tinha em seu colo uma criança de dois anos.
   - Sinto em dizer... – Suspirou massageando as têmporas. – Mas, a doença que sua filha desenvolveu ainda não tem uma cura. Ela muito menos ainda é conhecida, seus sintomas, suas causas e suas sequelas.
   - Então minha filha vai morrer?
   - Todos iremos morrer sr.Yohan, mas no caso de sua filha há ainda uma esperança. Terei que fazer algumas ligações, mas se for confirmado o que penso, podemos retardar o efeito da doença enquanto ainda é pesquisada.
   - Por favor doutor, faremos tudo para salvar minha filha. – O homem disse apertando a mão estendida do outro.

***

   ´´  Yohan...
A doença de Sayl fez-me enxergar o que já tinha certeza. Não sirvo para ser mãe. O tratamento inconveniente de Sayl gastará um dinheiro que não temos e ela definitivamente irá morrer.
 Não pretendo gastar todo o meu tempo e vida com algo que já está decretado. Não há mais nada o que fazer e por isso vejo que não há motivos para continuar aqui, irei começar uma nova vida, preciso aproveita-la enquanto há tempo.
  Desejo-lhe sorte. Adeus. ``  

   - Aquela ... – Resmungou entre dentes amaçando o pequeno pedaço de papel em sua mão.
   - Pai? Onde está Ellena? O que é essa carta? – A maior de olhos azuis pergunta se aproximando do pai. – Pai?
   - Aquela desgraçada foi embora. Ela nós abandonou. – Grunhiu se virando para a filha mais velha. – Safira, sua irmã definitivamente não irá morrer. Eu farei o impossível para conseguir esse dinheiro. – Disse a abraçando. – Sayl não morrerá. Vocês vão para a casa dos seus avós, ficaram com eles enquanto irei a Metrópole, vou trabalhar e conseguir o dinheiro para os remédios e as pesquisas. Confie no seu pai. – Suas lagrimas escorriam pelo rosto levemente moreno do homem tocando o topo da cabeça da outra.
   - Eu confio papai.

***

   - Pai... – A voz baixa da agora moça chamou acanhada o homem do outro lado da linha.
   - Diga filha.
   - Eles se foram... – Fungou ainda em lagrimas. – O vovô e a vovó ... eles se foram pai... – O som dos soluções já não eram contidos, fez-se silêncio do outro lado. – Pai ? – Chamou com a voz embargada.
   - Safira. – Silêncio. – Você deve ser forte minha filha, deve ser muito forte. Agora você deverá cuidar de sua irmã. Eu sei que a ama muito e fará tudo por ela, então a proteja enquanto eu estiver longe. Seja forte.

***

 

















Continua...




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