30 dezembro 2016

Magnet


Capitulo I





















***








   - Corra... Henry, corra... – A voz gritou em meio a escuridão, logo depois foi abafada e cessou.
   - Mãe? Mãe?! ... – Chamou sussurrando.
   - Vou te pegar.





 ***








dia nascia aos poucos. O sol dava seus primeiros traços através da colina aparentando se derreter na paisagem, com tons amarelos e laranjas que se misturavam com o azul. Os feixes de luz deslizavam bem devagar até chegarem a pequena cidade que acordava, seus moradores já se preparavam para o longo dia que se iniciava.
   Passos leves bailavam na cozinha da pequena casa, eram indícios que ali também a rotina começara. Vestida ainda com o pijama que se formava por um pequeno short banco com corações a enfeitar e a blusa do mesmo jeito, ela caminha pela humilde casa até uma porta, abre com a mão esquerda enquanto equilibrava uma bandeja na outra.
   - Bom dia Sayl. – Disse alto o suficiente para que o monte de baixo das cobertas se movesse. – Vamos, sente-se, trouxe seu café da manhã. – Falou adentrando por completo no quarto, paredes pintadas de branco, um guarda-roupa de madeira assim como a cama, no chão um tapete médio felpudo vermelho, na cômoda ao lado da cama um vaso de tulipas roxas – suas preferidas – enfeitavam o ambiente. Andou até o lado oposto da cama colocando a bandeja sobre a cômoda e se sentou à beira da cama retirando o que enterrava a pequena garota que agora a olhava. Seus olhos azuis celestes encaravam as azuis safiras, que provavelmente fora a razão de seu nome. Sua pele tão branca era característica de quem a anos não saia de casa. Olheiras também se faziam presentes no rosto levemente debilitado da pequena de cabelos loiros e longos.
    - Estou um pouco enjoada hoje. – Começou levando a pequena mão a altura do estomago.
     - Ei, você me prometeu que comeria hoje cedo Sayl. – Lembrou a moça e Sayl sorriu de leve. – Vamos, coma pelo menos essa maçã que amassei para você. – Disse entregando o pequeno pirex com uma colher para a menor que começou a comer. – Hoje o dinheiro do papai chega, vou agora mesmo sacar e comprar seus remédios. – Pensou alto a vendo comer.
     ­- Tudo bem irmã, vou melhorar, não precisa sair tão cedo. – Miou culpada.
     - Não minha querida, eu teria que sair agora mesmo, precisamos de algumas coisas e não pretendo pegar filas no supermercado. – Disse sorrindo, pegando a pirex das mãos da menina a colocando na bandeja e se levantando. – Você fica bem sozinha por um tempo? – Perguntou já abrindo a porta.
    - Você sabe que sim. – Riu voltando a se deitar. – Não irei sair daqui.
    - Eu sei que não Sayl. – Sussurrou saindo do quarto.
    Voltou a cozinha colocou o que tinha nas mãos sobre a pia de mármore escuro, se virou, passou pela porta do quarto de onde acabara de sair, a sala e então entrou em seu quarto, não muito diferente do outro, paredes brancas, um guarda-roupa de madeira, cama, um tapete no chão, cômoda, embaixo da janela uma mesa e cadeira. Foi até o guarda-roupa abrindo-o, olhou por alguns segundos suas roupas e então retirou de lá uma calça preta, blusa de manga curta roxa e um casaco creme. Se vestiu e guardou o pijama, calçou sua bota, penteou o cabelo negro levemente azulado em um rabo de cavalo, pegou sua bolsa também preta transpassando pelo corpo e a deixando de lado, saiu do quarto já destrancando a porta da frente, passou por ela, pela minúscula área, desceu três degraus, deu alguns poucos passos até o portão o abrindo e então caminhando na calçada.
    Já havia perdido quantas vezes tivera que fazer esse caminho. Desde que seu pai tivera que se mudar para a metrópole era essa sua rotina, acordar, cuidar de sua irmã, cuidar da casa e de deveres sociais. Sua irmã havia adoecido aos 2 anos, uma doença que os médicos não sabiam dizer o que realmente era, sua madrasta e mãe de Sayl os abandonou forçando assim que seu pai se mudasse para a cidade para conseguir dinheiro para o tratamento até então nada efetivo, ficaram sobre os cuidados dos avós que após alguns anos partiram, agora com seus 22 anos era ela quem cuidava de tudo, não reclamava da situação, agradecia por terem o que comer e por ter sua irmã ao seu lado, despertou de seus pensamentos quando avistou uma figura cambaleando logo a frente.
   - Bêbados. Pensou consigo mesma enquanto se aproximava cada vez mais da figura até que parou. Sentiu seu corpo tremer encontrando os olhos que pode ver serem esmeraldas mesmo de longe do rapaz antes dele cair. Por alguma razão só se deu conta quando já estava abaixada segurando o rapaz. Estava levemente sujo, mas sua pele branca podia ser vista, os cabelos rebeldes eram negros, a roupa que se constituía em blusa, calca, tênis e capuz preto estavam rasgadas e com manchas de sangue. Olhou para os lados, avistou um de seus vizinhos. – Alessia. – Chamou fazendo a moça se aproximar.
     ­- Por Deus Safira, o que é isso? – Perguntou surpresa com a situação do rapaz.
     - Não sei bem, mas não posso o deixar assim. – Respondeu.
     - Então vamos leva-lo para o hospital. – Sugeriu a moça, se posicionando do outro lado do rapaz.
     - Não. – Sussurrou a voz masculina tentando se debater. – Hospital não.
     - Ele tem medo de hospital? – Disse olhando para Safira.
     - Vai saber. Vamos pra minha casa, posso cuidar disso.
     - Tem certeza?  – Olhou para os lados. – Ele é bonitinho, mas ... a gente nem sabe quem é. – Sussurrou.
      - Vou correr o risco Alissa. – Respondeu passando um dos braços do rapaz sobre o seu.
      - Tudo bem. – Aceitou fazendo o mesmo que a outra.



***



    - Quem é ele? – Perguntou curiosa sentada ao lado da cama onde sua irmã cuidava do rapaz.
    - Eu já disse que não sei Sayl. – Respondeu trocando a toalha que estava na testa do mesmo.
    - Então vamos recapitular. – Começou levando o dedinho indicador na bochecha. – Você estava indo até o banco e encontrou ele. Depois ele acabou desmaiando e você o trouxe para cá.
    - O que quer dizer Sayl? – Indagou a mais velha a encarando.
    - Não, nada. – Desviou os olhos para o chão.
     - Olha, eu sei que pode ser arriscado, mas ele está machucado, queria que eu o deixasse lá para morrer? – Disse olhando para o rosto adormecido dele. – Não poderia fazer isso...
    - Você gostou dele. – Exclamou a menor fazendo a outra corar.
    - Cl.claro que não. – Rebateu enquanto a loira ria.
    - Aah não. – Continuava rindo.
    - Eu disse que não Sayl. – Desviou o rosto, era visível que ele era lindo.
     Os risos foram interrompidos por um resmungo vindo do rapaz. Ambas pararam e se viraram para encarar o mesmo.
     - Parece que ele está acordando. – Murmurou a menor enquanto se aproximava da outra que por usa vez assentiu com a cabeça enquanto o rapaz acordava.
      Gemeu um pouco e então abriu os olhos. Tão verdes. Tão bonitos. Tão hipnotizantes. Sentou-se na cama bruscamente e virou-se para elas.
      - Onde estou? – Perguntou. Sua voz soava firme e levemente rouca pela falta de agua.
      - Está em Castam. – Começou Safira enquanto ele tentava se levantar. – Olha você não pode sair agora. Ainda esta muito machucado, passe essa noite aqui, amanhã pode seguir seu caminho. – Disse impedindo que ele se levantasse. – Deite-se de novo, quer comer al...
       Parou.
       Da sala emanava agora uma luz vermelha que os fizeram desviar sua atenção pra lá. Safira saiu de perto do rapaz e caminhou cautelosamente até a porta terminando de a abrir. A televisão estava ligada sozinha e em letras chamativas escrito

Comunicado Urgente


     - É um comunicado. – Avisou fazendo os outros dois irem até a sala.




     - Esse símbolo... é um comunicado da metrópole. – Falou.
     - Eu sou Demetrion Elliot no Mewlledon Yeresthomph. – A voz do homem bem vestido ecoou pela pequena sala. – Venho os comunicar uma terrível desventura... – O rosto branco do mesmo se mostrava com curativos e seus olhos... – O grande Scalen Salomon no Mewlledon Jaspion 9º foi morto esta noite junto de sua família e criadagem... Seus olhos continham poder. Ganância.
     - Não pode ser... – Sussurrou Safira puxando a mais nova para seus braços.
     - Irmã? – Solta confusa a menor.
     - Infelizmente mesmo depois de muito lutar não podemos salva-los. A morte repentina da família reinante se deu pela traição do único filho do grande casal. Henry Salomon Zaryon no Mewlledon Jaspion. Ele tramou e executou seus próprios pais para subir ao trono, mas não conseguindo o atentado contra minha família, ferido, fugiu. Essa é a foto do assassino. – A foto de um rapaz de cabelos negros e olhos verdes foi estampada na TV enquanto a voz masculina continuava seu pronunciamento. – Ele deve estar se escondendo em algumas das cidades não muito distantes da grande metrópole. Henry Salomon Zaryon no Mewlledon Jaspion, mesmo sendo meu querido sobrinho deve ser capturado, trazido a metrópole e julgado por seus tenebrosos atos. Por esse motivo, uma recompensa de 5.000.000.000 de der para quem tiver informações do paradeiro de Henry. Para que a nação não fique exposta a um golpe serei seu Líder de agora em diante. Que a chama da cruz nos guie.





   - Mentiroso. – Grunhiu o moreno chamando a atenção das duas. – Ele é um completo mentiroso.
   - Você fez o que ele disse que fez? – Se pronunciou a menor.
   - É claro que não. – Exaltou-se. Como podia mentir dessa forma? Como poderia trai-los dessa forma? Como podia... – Não matei meus pais. – Suspirou, se virando, a porta se mostrou a sua frente, abriu e saiu. O dia já havia se passado e a luz da lua iluminava seu caminho até o portão e então para fora dos domínios da casa.
    - Espera. – Gritou Safira. – Fique aqui Sayl. – Ordenou seguindo o moreno.
    - Volte, não adianta vir atrás de mim. – Rebateu sem a olhar.
   - Não vê? Esta ainda machucado, não pode sair agora. – Disse andando ao seu lado. – Se o que aquele homem disse for verdade, estão te procurando se andar agora eles irão te pegar facilmente. – Parou em sua frente. Ele não a encarou.
   - Não teme pela sua irmã? Posso muito bem ter feito o que ele disse
   - Você disse que não tinha feito aquilo. Acredito em você. De alguma forma, sei que está dizendo a verdade. Sei disso. – Pronunciou recebendo finalmente os olhos verdes dele. – Olha ... – Respirou. – Pode passar a noite na minha casa e_
    - Quieta. – Proferiu olhando para os lados.
    - Que? – Disse inconformada. Quero ajuda-lo e me manda ficar quieta?! – Como assim ´quieta`? Olha só eu_
     Parou de falar ao sentir ser pega no colo. Como ele é forte. Ele a estava levando para longe. Olhando para traz já não podia ver sua casa. As coisas passavam muito rápido até que pararam bruscamente.
     - O que­_
     - Disse para ficar calada. – Interrompeu. Henry tentava encontrar alguma coisa.
     - O que está procurando? – Perguntou baixo o suficiente para que só ele ouvisse.
     - Só fique quieta. ­– Respondeu ainda com ela em seus braços. Ficaram ali, por alguns minutos. – Onde está sua irmã? – Perguntou fazendo Safira gelar.









 Continua...

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