31 dezembro 2016

Era uma vez... Nós



Capitulo I

















cordei com minha mãe batendo na porta. Queria que eu acordasse logo e a ajudasse. Hoje nem é um dia especial ou algo para se marcar no calendário, só iria se mudar mais um estudante. Não entendeu? Pois bem, eu explico. Nós nunca fomos muito ricos e depois de meu nascimento eles decidiram usar nossa grande casa para abrigar estudantes universitários. Ao longo destes 8 anos oferecemos muitas hospedagens e atualmente estão ocupados 5 quartos do segundo andar. Já estão alojados Joseph, 20 anos, ele é na dele e vive nos livros, é um cara legal, cumprimenta a gente e essas coisa, é um magro branquelo e loiro de olhos claros, um típico nerd e por isso sempre peço sua ajuda em algumas lições de casa, está cursando direito já no segundo ano. No quarto ao lado fica o Miller, um caro super estranho que quase não vemos, ele não fala muito com a gente, tem 23 anos e cursa medicina. Depois vem a Amanda, mas desde que ela chegou exige que a chamássemos de ´´Lua`` ela tem 21 anos, minha mãe diz que ela é uma típica caçadora de homens, vive saindo com suas amigas e se veste muito bem, cursa moda. Logo depois vem o Filiphe, minha mãe diz para que eu não fique perto dele, que ele é estranho, mais eu gosto dele, tem 21 anos, muita tatuagem, cabelo azul e verde, bem engraçado, as vezes traz para casa alguns amigos no final de semana, ficam jogando um jogo muito legal, tentaram muitas vezes me ensinar mais não sou uma boa aluna para essas coisas, ele é bem inteligente e está cursando designer de jogos, prometeu dedicar um a mim.
     No começo da semana Oliver o mais velho com 26 terminou os estudos, ele cursava Engenharia Química e hoje ele vai se mudar, conseguiu um novo trabalho. Bem engraçado, nós sempre brincávamos quando estava livre, e também lia para mim, gosto muito dele.
    - Bom dia Hanna. – Oliver me cumprimentou com algumas caixas a tira colo.
     - Bom dia Oliver. Está ansioso para o trabalho? – Disse um pouco triste, ele era como um irmão mais velho para mim. Na verdade, acho que no final são todos assim.
     - Sim estou. – Respondeu colocando as caixas no chão me olhando. – Sentirei saudades de você Hanna, das nossas brincadeiras. Sempre que der venho aqui te ver, tudo bem?
      - Você promete? – Disse vendo ele sorrir e passar a mão no cabelo preto. Oliver é bem moreno e sempre parecer ter ido à praia.
      - Sim, eu prometo. Agora me dê um abraço. – Falou abrindo os longos braços para mim e eu o abracei.
      - Oliver, as coisas já estão prontas. – Meu pai avisou ainda no andar de baixo.
      - Obrigado senhor Vicente. – Agradeceu se desfazendo do meu abraço e pegando novamente as caixas. – Você vai descer?
      - Vou sim. – Respondi o acompanhando enquanto descia as escadas de madeira.
    – Você já sabe quem vai assumir meu lugar? – Perguntou antes que chegássemos a entrada da casa.
      - Mamãe disse que eles chegaram assim que você sair. Por isso ela está tão afobada. – Respondi enquanto saiamos da casa. O carro que ele havia comprado a alguns meses estava estacionado ali, meus pais também o esperavam.
      - Entendo. – Disse colocando as últimas caixas no porta malas, o fechou e caminhou até meus pais. – Agradeço muito por todos esses anos senhor Vicente, obrigada pela confiança.
      - Tudo bem garoto, espero que dê tudo certo para você no novo emprego. – Disse meu pai lhe dando um aperto de mão.
      - Obrigado a senhora também dona Judite, espero que os novos inquilinos sejam bons.
      - Não é nada meu filho. – Começou minha mãe já com lagrimas nos olhos, ela sempre chorava quando eles iam embora, afinal, nos tornamos uma família. – Também quero que tudo dê certo para você no novo emprego. Mas se não conseguir se ajustar, não hesite em voltar, sempre teremos um lugar para você. – Falou o abraçando. – Eu fiz um lanche para você comer no caminho, está no banco do passageiro, se sentir fome, pare para comer, ou até mesmo para beber algo, se ficar cansado pare em algum motel ou posto, não dirija cansado Oliver, a viagem é bem longa, assim que chegar ligue para a gente. – Aconselhou.
     - Pode deixar senhora Judite e muito obrigado pelo lanche, assim que chegar ligo para avisar. – Aceitou ele recebendo mais um abraço da mamãe. Passou por mim mexendo no meu cabelo e então entrou no carro, se despediu mais uma vez e se foi. Nós ficamos mais um tempo vendo o carro dele sumindo.
     - Vamos entrar, daqui a pouco o outro chegara. – Papai nos despertou.
      Concordamos e entramos.
     Ajudava mamãe a fazer o almoço quando alguém toca a campainha, prontamente fui atender a porta. Deixei o pano que enxugava a louça para minha mãe e corri até a porta a abrindo. O homem de pé a minha frente vestia jeans, tênis e blusa branca. Era moreno, mas não tanto quanto Oliver, mas do mesmo tamanho, seus olhos eram verdes e os cabelos negros.
      - Bom dia. – Sorriu. – Aqui é a casa dos Yanbergson?
     - Sim, somos nós. – Respondi o fazendo suspirar aliviado, percebi que papai se colocou atrás de mim.
      - Somos os novos inquilinos. – Disse ele olhando meu pai.
      - Ah sim, esperávamos por vocês. – Pronunciou papai acompanhando ele até o carro e o ajudando com suas coisas.
       - Mamãe, ele chegou. – Disse alto para que ela ouvisse da cozinha, logo estava ao meu lado e eles entrando.
      - Vocês vão gostar da vizinhança, aqui é tudo bem quieto durante o dia, os rapazes gostam disso. – Dizia papai enquanto ele apenas sorria e acenava com a cabeça. – Essa é minha esposa, Judite e minha filinha, Hanna. – Falou apontando para mamãe e depois para mim.
      - Seja bem-vindo. – Cumprimentou mamãe, eu apenas o olhava.
      - Muito obrigado senhora Judite. Me chamo Christopher e esse é meu irmão mais novo, Dante. – Apresentou nós fazendo só então reparar no menino logo atrás dele. Ele vestia tênis, short jeans e uma blusa azul, sua pele, cabelos e os olhos eram iguais ao de Christopher e mais parecia uma versão infantil do maior.
      - Você trouxe seu irmão? – Indagou mamãe olhando o menino.
      - Espero que não se incomode, não poderia deixa-lo para traz, espero que entendam. – Relatou ele puxando o menor ao seu lado. – Vamos Dante, cumprimente-os.
       - É um prazer senhores. – Disse fazendo minha mãe se apaixonar. Sua voz era um pouco diferente do que pensei. Mas forte do que os meninos da minha idade.
       - Mas é claro que entendemos. O amor pelos familiares é algo que prezamos muito, e além do mais seu irmão é muito educado. – Articulou ela procurando abraçar ele.
        - Muito obrigado. – Agradeceu o maior.
        - Vamos, vou mostrar o quarto de vocês. – Falou papai.
       - Isso, vão se instalar, devem estar famintos, o almoço já está quase pronto. – Concordou mamãe os fazendo seguir meu pai até o antigo quarto de Oliver.
       Voltei a cozinha com mamãe. Ela parecia mais animada do que de costume. Talvez seja o fato de termos mais uma criança, ela sempre dizia que queria me dar um irmão.
        - Você viu Hanna?! – Começou verificando a panela de pressão onde estava a carne. ­– Teremos mais uma criança. Vocês poderão brincar juntos e serem colegas de sala. – Parou e olhou para mim ainda com a panela nas mãos. – Será que ele já está matriculado na sua escola? – Disse se virando novamente. Entendi aquela pergunta como retorica. Ela abriu a panela e o cheiro da carne com legumes invadiu a cozinha. Um cheiro tão bom que encheu minha boca. – Pegue uma travessa para eu colocar a carne Hanna. – Pediu e logo a obedeci. – Pegue uma outra também para o arroz.
      Ela colocou tudo em travessas separadas enquanto eu arrumava a mesa. Assim que estava tudo pronto e nos seus devidos lugares tocou o costumeiro sino, assim todos de casa caberiam que o almoço estava pronto.
       Não precisamos esperar muito e já estavam todos em volta da mesa. Papai chegou logo mais com os dois recém-chegados. Ele conversava fervorosamente com Christopher, que ficou ao seu lado junto de Dante. Dante. Esse nome é diferente.
        - Podem se servirem queridos. – Mamãe disse liberando todos para se servirem.
        A mesa era grande e retangular. As coisas estavam no centro e sentamos na seguinte ordem. Papai na ponta, Christopher que ainda ouvia ele falar, Dante, Filiphe, na outra ponta Miller, Joseph, Lua, eu e mamãe.
       A comida estava deliciosa, carne bem picadinha com legumes, arroz, feijão, batatas fritas e salada. Eu particularmente amo batatas fritas e esse é o meu prato favorito. Papai não parava de conversar com Christopher que vez ou outra respondia o que ele perguntava. Filiphe estava brincando com a comida bem a minha frente. Colocava as batatas como dentes e remedava meu pai, ele é muito divertido.
       - Pare com isso Filiphe. É nojento. – Retrucou Lua que também estava em frente a ele.
       - Fique quieta, não estou fazendo para você. – Rebateu piscando para mim, ri.
        - Mas estou vendo.
        - Christopher, seu irmão era estudar em alguma escola? – Perguntou minha mãe recebendo a atenção de todos na mesa.
         - Sim. Mas ainda não tive tempo de matricula-lo em nenhuma. – Respondeu educadamente. O tom de voz dele era bem calmo e seguro. – Mas irei ainda hoje na Lolwar ver se consigo uma vaga para ele.
         - Lolwar? É a escola da Hanna. Ela não tem aula hoje mais se quiser podemos te levar até lá para conversar sobre a vaga de Dante. – Prontificou mamãe.
         - Seria ótimo se possível.
          - Nós o levamos, não é querido?!
          - Claro. Logo depois do almoço podemos ir.
          - Perfeito. Com a Hanna como sua colega ele não se sentira sozinho em uma escola nova. – Disse sorrindo.

          O almoço seguiu normal depois disso.
          Logo todos já haviam terminado e saído da mesa, ajudava mamãe com a louça.
          - Isso vai ser maravilhoso, minha querida. – Começou lavando a louca enquanto eu secava. ­– Tenho certeza que serão grandes amigos. Digo, você e Dante, na mesma escola e até mesmo Christopher. Eles são bons meninos não acha?!
           - Sim mamãe. – Respondi.
          Todos ficaram bem felizes com a chegada dos dois e até mesmo eu sentia como se eles já fizessem parte da família.
          - Querida, vou levar Christopher para a escola, precisa de algo para quando voltar? – Perguntou papai entrando na cozinha.
          - Precisamos de ovos, leite e pão. Compre algo para as crianças também.
          - Tudo bem. Voltamos logo.
         Papai logo saiu com ele, eu e mamãe também terminamos a cozinha, subimos para o quarto deles, aquela velha escada de madeira precisava de reparos, ela queria ver se tudo estava certo para eles, para isso precisamos pegar lenções, fronhas e cobertas limpas.
          Assim que estava tudo em meus baços e nos da mamãe seguimos para o antigo quarto do Oliver. As coisas que os novos inquilinos haviam trazido estavam disposto no chão e sobre a cama e foi lá onde mamãe começou a mexer.
          - Precisamos arrumar mais uma cama pra Dante. – Sussurrou enquanto terminávamos de colocar as malas deles no chão e ela começava a arruma-la. – Hanna, vá dizer a Lua que iremos precisar daquela cama que está sobrando no quarto dela.
          - Sim senhora.
          Sai do quarto e virei a direita, o quarto de Lua era o último, perto da nossa única enorme janela de vidro, podia muito bem quase a vizinhança inteirinha por ali.
           - Lua. – Chamei tocando a porta com a dobra do meu dedo indicador. Ouvi um barulho e então a porta se abriu com ela arrumando o cabelo. – Estava dormindo?
           - Parece ne?! – Riu terminando de prender os grandes cabelos loiros. – O que quer Hanna?
           - Mamãe mandou dizer que precisaremos da cama que está sobrando para os novos inquilinos.
           - Minha cama? – Quase gritou indignada. – Mas ela é minha.
           - Amanda quando chegou dissemos que ela poderia ficar em seu quarto por não termos onde coloca-la, mas agora precisamos dela. – Disse mamãe com a metade do corpo para fora do quarto dos meninos.
            - Mas senhora Yan.
            Choramingou enquanto Filiphe saia do quarto.
            - O que está acontecendo? – Perguntou ele entrando na conversa.
            - Precisamos da cama que está no quarto da Lua para os novos inquilinos. – Disse e ele riu vindo para perto de mim.
            - E o que você está reclamando? A cama nem é sua. Venha Hanna vou te ajudar a levá-la para sua mãe. – Falou já entrando no quarto.
            - Filiphe você não pode entrar no meu quarto assim, saia daqui. – Gritou ela enquanto entravamos.
            - O quarto também não é seu, é da senhora Yanbergson e ela quer a cama, então. – Pronunciou ele já ao lado da cama que estava com roupas dela.
            - Argh eu te odeio Filiphe. – Desferiu raivosa enquanto marchava para retirar as coisas. O que não demorou muito.
            - Consegue pegar do outro lado Hanna? – Perguntou retirando o colchão e virando a cama de lado, ele ficando na cabeceira.
            - Claro. – Retruquei rindo. – Também sou bem forte.
            - Então veremos. – Ele brincou enquanto tirávamos a cama. – Leve o colchão também. – Disse ele para Lua enquanto saiamos.
            Ele ia andando de costas fazendo gracinhas para que eu soltasse a cama, mas não iria me vencer assim.
            Atravessamos o corredor bem mais rápido do que pensava e entramos no quarto dos meninos, mamãe já havia arrumado as coisas, logo atrás Lua chegou com o colchão e saiu.
           - Obrigada Filiphe. – Agradeceu mamãe. Acho que agora ela está entendendo que Filiphe não é assim tão perigoso quanto ela falava.
           - Por nada senhora.
           




















 Continua ....

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